Lá vou eu, de novo. Nem preciso, já passada dos 70 faz tempo. Mas insisto.
Lembro-me que, em 2022, escrevi sobre “mosquito e
cidadania”.
Pois é... lá vou eu, mosquito, de novo, nessa noite prolongada
de insônia de polarização desmedida, que inferniza nosso país. E me somo aos infinitos “mosquitos de nada”
que, a cada vez, insistem em se dirigir às urnas.
Não tenho sede de sangue, não tenho sequer ferrão, passados
tantos anos de tantas lutas por ver meu país melhor. Não sou mais a guerreira de
passeatas incansáveis que enfeitaram minha juventude; não tenho mais a ilusão e
a crença sonhada de ver esse país, que amo tanto, finalmente dar certo.
Acredito que vai... mas, talvez, não para meus olhos. Reconstruir (construir?)
isso, com certeza, exigirá um tempo que mais não tenho...
Mas ainda sinto a empatia de me confundir com a pequenez de
um mosquito, que impede o sono de alguém, num quarto escuro. Fazer a minha
parte para um futuro que não alcanço.
Irei lá sempre e sempre e sempre, amante do meu país e do
mundo, fiel aos meus princípios, nem que seja para representar o mosquito que
inferniza a vida de alguém, neste quarto escuro.
É a soma dos mosquitos que confundem as estatísticas...
Meu voto estará lá, refazendo minha jornada, com os mesmos
desassossegos de uma alma cidadã.
Obs.: Foto tirada da internet, sem identificação.
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