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sábado, 14 de junho de 2014

COPA


Turistas. Muitos turistas. Copacabana está toda colorida. Vindo para casa, vi argentinos e brasileiros cantando juntos num bar. Ao menos isso: tão rivais e arqui-inimigos, somos irmãos fora do campo. Também vi camisas das mais diversas nacionalidades passeando pelas ruas e calçadas.

Muitas máquinas fotográficas. Muitas. E sorrisos brasileiros, num caloroso abraço aos que chegam. Coisa nossa. 

Tá bem, tá tudo certo no que concerne à irmandade dos povos.

Mas minha rua continua deserta. A esta altura, nas Copas passadas, ela  já estaria toda embaiderada, seu solo todo pintado com os símbolos dos jogos,  desenhos os mais diversos colorindo o grande muro branco da escola ao lado. Nada. Tudo limpinho. Nem bandeiras penduradas na janelas. Para não mentir, uma ou outra, vá lá... mas o cheiro de festa, de festão mesmo... nada.

Alguma coisa bem diferente (e saudável) acontece com o povo brasileiro. Somos calorosos, apaixonados. Ainda mais por futebol...

Até pode ser que, com o andar dos jogos, a animação invada nosso peito. Pode ser. Mas o colorido, com certeza, é outro.

Estou triste. Mas também estou contente. Há algo de muito podre no reino do Brasil e o povo sentiu. Sente. E espero que continue com o nariz aguçado.

Na abertura da Copa, a insatisfação não ficou ausente e veio à tona com fé. Ah... se eu fosse a presidente, juro que enfiava minha viola no saco e sumia. Sumia. E não me candidatava mais nem pra síndica de edifício...

É Copa, mas agora já não me inquieto mais. Pode até ser que o povo se empolgue com a vinda de vitórias. Merecemos. Mas não mais embaçarão a sensação de que estamos cansados de comer pizza.

Assim espero que seja.

E, enquanto espero, torço pela Copa das árvores.

Obs.: Foto retirada do Facebook, autor por mim desconhecido. Caso veja sua foto, por favor, se identifique para que possam ser dados os créditos.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

LÁ VOU EU DE NOVO...



Estava completamente convencida de que já tinha feito a minha parte.

Minha luta, quando necessário, há muito tempo passou a restringir-se à palavra escrita, às postagens semanais.

Achei que não teria mais "pernas mentais" para ir a manifestações, a encontros com políticos, participar de greves...

Não são as pernas físicas, felizmente ainda bem saudáveis. São as "pernas mentais".

Já fiz muito disso tudo, mesmo quando o temor avassalava minhas veias. O brio me impelia a ir a cada vez que a necessidade de luta se fazia. Assembleias, passeatas em frente ao palácio do governo...

Assim, pensei que tinha cumprido o meu papel. Se você leu "A saga", sabe do que estou falando.

Mas acabei indo, na semana passada, na onda do grupo dos aposentados, para falar, de novo, com os deputados sobre nossas condições como professores.

Uma professora amiga e eu nos encontramos no metrô e fomos juntas, em mais um esforço de luta. 

Confesso que pensei que se resumiria a isso, pois passeatas, manifestações já não combinam muito mais comigo... ou achei que não combinassem... no já apertadíssimo tempo de minha nova vida.

Juntou-se a nós um querido amigo, ainda na ativa.  Esse meu irmão bravo e guerreiro, esteve e está sempre presente, até hoje, em todas as manifestações, reuniões da Associação de Docentes, intervenções que oferecem ou exigem um espaço de política acadêmica. 

Como foi bom revê-lo!... aliás, este é um contato que sempre me negarei a perder e nos encontramos, vez por outra, quer em jantares gostosos de boas gargalhadas e conversas sérias, quer via mails ou papos telefônicos. Para nós, sempre haverá um tempo disponível, resultado de uma cumplicidade de acadêmicos, antes comprometidos com nosso trabalho sempre em dupla e... agora... espontaneamente comprometidos com nossa verdadeira amizade.

Enfim, às 14 horas, nos reunimos na calçada ao lado da Assembleia Legislativa, para as orientações de praxe, vindas do diretor da Associação de Docentes da Universidade, representada por um jovem professor que logo reconheci como um de meus ex-alunos.

No meio de nós, aposentados, aquele jovem de seus trinta anos (terá?), ar tranquilo e resoluto de quem sabe como luta, nos sorria.

Reconheceu-me, dirigiu-se a mim gentilmente, com olhos misturados de  "alunice", "coleguice" e cumplicidade.  Minha emoção começou ali mesmo.

Sempre acreditei na nova geração. Mas nunca a tinha presenciado desta forma tão segura e firme, tão sabendo o que quer, tendo passado, um dia, pelas minhas mãos!

E enquanto eu saboreava essa mistura de emoções como antiga mestre e atual colega, ele, em pé ao meu lado, distribuía tarefas, envelopes com documentos, apontava direções.

Voz  sensata e calma, discurso limpo. Uma sensação tão forte e gostosa, que não resisti. Quando ele acabou de falar, passei meu braço em sua cintura e falei meio engasgada, me dirigindo a todos: 

- Nossa! Meu ex-aluno!  

Meus colegas aposentados entenderam imediatamente o significado de tanta emoção. E quando levantei meus olhos úmidos em sua direção, encontrei os dele, tranquilos, seguros, úmidos e emocionados também.

E, claro, uma chama antiga de esperança e fé, depois de tanto tempo, renasceu em meu coração. 

- Ok, meu jovem, agora é a sua vez. Volto, para aprender com você.                               

sábado, 29 de junho de 2013

REFLEXÃO



Há meses atrás, esperando que abrisse o sinal de pedestres da Avenida Rio Branco, bem no centro da cidade, esqueci meu olhar pelos prédios e... no topo de um deles, como perdida (e achada) no meio do mundo e do bulício... a bandeira nacional. 

Não resisti a uma foto e, evidentemente, a minhas reflexões.

Saí dali com o hino em minha cabeça: "Salve, lindo pendão da esperança!"...

Esperança...

Há meses atrás, imaginava que esta bandeira distante, alta, quase invisível só apareceria insolente e formosa na próxima Copa do Mundo. Até lá, estaria esquecida por cantos tímidos de nossa cidade...


ou nas cangas de praia à venda para turistas...



Meu coração se entristeceu... "Sobre a imensa Nação Brasileira, nos momentos de festa ou de dor, paira sempre sagrada bandeira, pavilhão da justiça e do  amor!"

Nos momentos de festa e de dor... pavilhão da justiça e do amor...

Olhei em volta, pensativa, encontrando apenas olhares inexpressivos, apressados, em busca de seus afazeres, ensimesmados, encolhidos em sua ardorosa luta pela sobrevivência. E, a nossa volta, um país massacrado pelas injustiças sociais, pelo descaso, pelo abandono. Momento de dor.

Olhei para o alto como quem pede por socorro. Mas apenas o vento a desfraldava neste "impávido colosso".

Desesperança... 

E... de fato... ela só reapareceu na Copa. O que eu não podia imaginar é que ela não apareceu pela Copa, apesar de incluir a Copa. 

Quem diria... pelo  momento da dor.

E nossa bandeira invadiu nossos estádios, nossas ruas, nossos corações, comemorando a festa de ser brasileiro, antes de comemorar a festa de ser apenas um torcedor.

"Nos momentos de festa ou de dor". Quem escreveu este hino, não poderia imaginar que a nação juntaria esses dois sentimentos em um único e exclusivo momento. É o milagre de ser brasileiro. 

E quem disse que não somos organizados, ordeiros, cordatos, sagazes, viris, sensatos... enrubesceu. 

Tomara que possamos manter nossos corações vibrando, com a mesma audácia gentil, firmeza sutil, sensatez vivaz. Não é fácil, é árduo, mas é vital. Que saibamos empunhar nossa bandeira com a alma e a glória que merecemos, com a justiça que ansiamos, com o valor que temos.

Esperança...

"Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil"



"Querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil!"
  


Porque, sem você, nossa festa e nossa luta não estariam completas.

Esperança... porque, sem ela, é impossível viver.




(Obs.: três últimas fotos - Facebook - infelizmente, sem autoria comprovada. Se os autores das fotos puderem se apresentar e comprovar a autoria, agradecemos, para providenciarmos a citação devida)